A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Goiás (ABES-GO), no cumprimento de sua missão de promover a melhoria das condições ambientais e sanitárias, manifesta-se contrariamente à medida anunciada pela Prefeitura de Goiânia de substituir áreas verdes naturais por grama sintética nos canteiros centrais e praças da cidade.
Plantas naturais realizam fotossíntese, promovendo a captura de gás carbônico e a liberação de oxigênio, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade do ar. Além disso, as raízes da grama natural favorecem a infiltração da água de chuva no solo, reduzindo escoamentos superficiais, prevenindo alagamentos, contribuindo para a drenagem urbana e possibilitando a recarga do lençol freático. A grama sintética, mesmo instalada sobre camadas drenantes, não reproduz o desempenho natural do sistema radicular das plantas, limitando-se a uma tentativa de imitação que não apresenta a mesma eficácia.
Acerca do microclima urbano – e contrário à afirmação de que a grama sintética possui temperatura mais baixa que a grama natural – a vegetação natural contribui para a redução da temperatura e a criação de um ecossistema equilibrado, enquanto a grama sintética, por ser composta de material plástico, intensifica a retenção de calor, o que pode agravar o desconforto térmico para a população goianiense, que já convive com clima seco e temperaturas elevadas durante grande parte do ano. Temperaturas elevadas sobre esse material plástico podem ainda causar desconforto ou até lesões em pessoas e animais, além de impactar negativamente árvores e outras espécies vegetais próximas. Soma-se a isso o papel da grama natural na redução da poeira em suspensão, fator importante para a saúde respiratória da população, função que não é desempenhada pela cobertura artificial.
Ainda, é importante destacar que a grama natural contribui para a manutenção da biodiversidade urbana, servindo de habitat e fonte de alimento para insetos, pássaros e pequenos animais, funções ecológicas também inexistentes na grama sintética. Quanto à manutenção, não procede a justificativa de que a grama sintética reduziria custos, uma vez que a vegetação natural utilizada na cidade é produzida nos próprios viveiros da Prefeitura. Além disso, o investimento inicial da grama sintética é mais elevado, e seu desgaste por exposição contínua ao sol e às intempéries exigirá substituições periódicas, gerando resíduos de difícil degradação.
A grama sintética, ao fim de sua vida útil, não pode ser reaproveitada como compostagem ou substrato, tornando-se um resíduo sólido não biodegradável que terá de ser encaminhado a aterros sanitários ou lixões, ampliando os passivos ambientais e contribuindo negativamente para a gestão de resíduos sólidos no município. Esses aspectos confrontam diretamente os princípios de sustentabilidade que devem orientar a gestão urbana.
Diante do exposto, a ABES-GO entende que a substituição da vegetação natural por grama sintética pode comprometer serviços ambientais essenciais, especialmente aqueles relacionados ao equilíbrio climático, à biodiversidade, à segurança hídrica, à gestão de resíduos sólidos e à drenagem urbana, englobando, portanto, áreas estratégicas do saneamento. Por esse motivo, recomenda que a Prefeitura de Goiânia reconsidere a medida e mantenha a cobertura vegetal natural nos espaços públicos, reforçando o compromisso da cidade com a sustentabilidade, a saúde da população e a qualidade de vida urbana.

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